
A minha história começa em 1974, no Rio de Janeiro, sob a brisa da Baía de Guanabara. Embora tenha nascido em Botafogo, foi nas ruas arborizadas da Tijuca que criei minhas raízes e minha identidade. Cresci em uma família de classe média, filho de um funcionário do Banco do Brasil que também atuava como advogado na área de família e uma dona de casa que sempre se scrificou para nunca nos deixar faltar nada.
Poderia se esperar que, tendo um pai advogado e bancário, houvesse uma pressão silenciosa para seguir passos tradicionais, para buscar a segurança de carreiras consagradas desde o berço. Mas o ambiente em minha casa era diferente. Meus pais me ofereceram o presente mais valioso que uma criança pode receber: a boa orientração e a liberdade de escolha no tempo certo. Nunca houve imposição, apenas apoio. Essa liberdade foi o solo fértil onde minha curiosidade natural pôde florescer, permitindo que eu explorasse mundos que, naquela época, pareciam ficção científica para a maioria das pessoas.
O mundo estava mudando. A década de 80 trouxe consigo o alvorecer da computação pessoal, um fenômeno que alteraria o curso da humanidade e, especificamente, o meu destino. O “estalo” — aquele momento singular em que o universo parece se alinhar — aconteceu na casa de um amigo de infância.
Lembro-me como se fosse hoje. Ele tinha um Apple II Plus. Para muitos, era apenas uma caixa bege com um monitor de fósforo verde, mas para mim, era um portal. Jogamos Karateka e Norad. Aqueles pixels, aqueles movimentos simples na tela, despertaram algo em mim que eu não conseguia nomear, mas sabia que era irreversível. Não era apenas sobre jogar; era sobre a máquina respondendo ao comando humano.
Percebendo meu fascínio, meu pai me presenteou, em meados dos anos 80, com um MSX HotBit da Sharp. Foi ali que a paixão se tornou prática. Aquele computador não era apenas um console de jogos; ele vinha acompanhado de um manual de BASIC.
Sem professores, sem internet, sem tutoriais em vídeo. Apenas eu, o manual e o cursor piscando. Comecei a digitar meus primeiros códigos instintivamente. Eu não tinha noção formal de lógica de programação ou matemática avançada; era pura curiosidade empírica. Eu digitava, a máquina errava, eu corrigia, a máquina obedecia. Essa dança de tentativa e erro formou a base do meu raciocínio lógico.
Com o passar dos anos, a tecnologia evoluiu e eu evoluí com ela. Vendi meu fiel MSX e adquiri um Commodore Amiga. Foi um salto quântico. De repente, eu tinha cores vibrantes, multitarefa e capacidade gráfica. Ali nasceu meu interesse por Web Design, coincidindo com a chegada tímida da internet comercial no Brasil. Do Amiga para os PCs modernos, a transição foi natural, mas o espírito daquele garoto na Tijuca, desbravando manuais de BASIC, nunca me abandonou.
A vida, no entanto, não é uma linha reta. Apesar de os computadores serem minha paixão óbvia, quando chegou a hora do vestibular, tomei um caminho diferente. O computador era meu hobby, meu refúgio, mas eu decidi transformar em profissão o meu interesse pelas ciências humanas. Ingressei na faculdade de Direito.
Pode parecer contraditório para quem vê minha carreira hoje, focada em bits, bytes e SAP, mas essa formação foi fundamental. O Direito me ensinou a ler a sociedade, a entender estruturas, regras e, acima de tudo, a lógica argumentativa. Embora eu nunca tenha atuado como advogado de fato, o bacharelado em Direito expandiu meus horizontes. Ele me deu a capacidade de interpretar normas e regulamentos com uma clareza que muitos técnicos puristas não possuem.
Anos mais tarde, essa base jurídica se revelaria o “elo perdido” perfeito para minha atuação em Segurança da Informação e Auditoria. Afinal, o que é a segurança de dados senão a aplicação de leis e regras dentro de um ambiente digital?
Foi apenas depois de já estar inserido no mercado de trabalho que busquei a formalização técnica, cursando Sistemas de Informação. Essa segunda graduação veio para selar o conhecimento prático que eu já possuía, criando um profissional híbrido: alguém que entende o código da máquina e o código da lei. Tive professores em ambas as faculdades que não me ensinaram apenas matéria, mas lições de vida sobre ética e responsabilidade que carrego até hoje.
Meu ingresso no mercado de trabalho foi na trincheira da revolução digital brasileira. Meu primeiro emprego foi como analista de suporte no Centroin Internet Provider, um dos provedores pioneiros e mais respeitados do Rio de Janeiro.
Diferente dos helpdesks robotizados e frios que vemos hoje, o Centroin tinha uma filosofia diferenciada. O atendimento era humanizado. Lidar com usuários que estavam acessando a internet pela primeira vez exigia paciência e empatia. Descobri ali uma satisfação genuína em resolver a dor do outro. Entendi que, do outro lado da linha, havia uma pessoa com uma necessidade, e que a tecnologia deveria servir a ela, e não o contrário. O salário era modesto, típico de início de carreira, mas a bagagem de aprender a “traduzir” o tecniquês para o português claro foi impagável.
Minha jornada seguiu para o jornalismo de games. Trabalhei na redação da LagZero, que depois se tornou Final Boss. Como redator, uní minha paixão pela escrita com o amor pelos jogos. Analisava lançamentos, cobria o mercado de PC e consoles, e, mais importante, expandi meu network. Conheci as pessoas que moviam a indústria no Rio de Janeiro.
Posteriormente, mergulhei no caos criativo da SOHO ONE, uma empresa de web design e outsourcing. Eram tempos difíceis, a “Era das Trevas” da informação. Não existia Google para responder suas dúvidas em milissegundos. Não havia Stack Overflow. O aprendizado era na raça, folheando livros pesados, lendo manuais técnicos em inglês instrumental e testando até funcionar. Essa escassez de recursos forjou em mim uma resiliência investigativa. Aprendi a não esperar pela resposta pronta, mas a construí-la.
O grande divisor de águas na minha carreira aconteceu de forma quase casual, como costumam ser as grandes mudanças. Um colega de escola me procurou com uma pergunta simples: “Você quer trabalhar para a Petrobras com SAP?”.
Eu fui honesto comigo mesmo: eu não fazia a menor ideia do que significava a sigla SAP. Mas a curiosidade e a coragem falaram mais alto. Aceitei o desafio. Passei no processo seletivo e fui alocado no time de autorizações de acesso.
O cenário, contudo, não era favorável. O mercado vivia o estouro de uma bolha tecnológica. Havia uma crise no ar. Lembro-me da angústia dos meus primeiros meses: fiquei quase 90 dias sem computador. Eu ia para o trabalho e não tinha a ferramenta de trabalho. O medo da demissão era constante; eu me sentia inútil. Mas, quando finalmente recebi meu equipamento — um desktop pesado, pois notebooks eram artigos de luxo —, agarrei a oportunidade com unhas e dentes.
Mergulhei no universo SAP. Percebi que a área de segurança e autorizações era um nicho complexo e vital. Comecei a estudar por conta própria, devorando documentações sobre a arquitetura do sistema. Esse ímpeto autodidata me levou a expandir para outras áreas correlatas: fiz cursos de Ethical Hacking, aprendi Python e outras linguagens. Transformei aquela angústia inicial em combustível para me tornar um especialista.
Hoje, com mais de 25 anos de estrada, sou um Especialista em Segurança da Informação focado no ecossistema SAP. Mas o título no cartão de visitas diz menos sobre mim do que a minha filosofia de trabalho.
Minha atuação é pautada por três princípios inegociáveis: transparência, honestidade e comprometimento.
No mundo corporativo, muitas vezes a área de segurança é vista como a área do “não”, ou a área que esconde o jogo para manter o poder. Eu atuo no sentido oposto. Busco a melhor solução para o cliente sem jogos políticos. Meus pareceres técnicos são transparentes. Se há um risco, ele será exposto; se há uma solução, ela será compartilhada.
Acredito que a transparência é a alma do negócio. O conhecimento técnico não deve ser uma caixa preta guardada a sete chaves pelo especialista. Pelo contrário, o conhecimento deve fluir. O que define um profissional não é o que ele retém, mas o que ele compartilha. Meu objetivo é que as pessoas ao meu redor não precisem passar pelas mesmas dificuldades “na raça” que eu passei na era pré-Google. Encaro minha liderança técnica quase como uma mentoria contínua.
Vejo o mercado de Segurança da Informação e Auditoria caminhando para um futuro onde deixará de ser visto com ceticismo ou medo. Trabalho diariamente para que as empresas entendam que a segurança não é um entrave burocrático, mas um agregador de valor que garante a perenidade do negócio.
Quem me vê focado em matrizes de risco GRC ou depurando códigos, talvez não imagine a figura que existe fora do escritório.
Eu sou uma pessoa que precisa de movimento e conexão. A família é minha base absoluta. Sem minha esposa e meus filhos, a jornada profissional perderia o sentido. Eles são o “porquê” de todo o esforço. É para eles e por eles que busco acertar, errar e evoluir.
Para “desligar” a mente analítica, busco o refúgio na natureza e na adrenalina. Sou um apaixonado pelo mar e pelo asfalto: surfo, pedalo e pratico artes marciais. Essa disciplina física me ajuda a manter o equilíbrio mental. Também sou um gamer inveterado — um hábito que vem desde o Apple II Plus e que hoje serve como minha válvula de escape, uma forma de desconectar da realidade dura e mergulhar em narrativas fantásticas.
Musicalmente, sou eclético. Minha playlist é um reflexo da minha mente: aberta a tudo que tem qualidade e que toca a alma, sem preconceitos de gênero.
No convívio social, sou conhecido pelo espírito brincalhão. Gosto de humor, de leveza, de quebrar o gelo. Às vezes, esse jeito espirituoso confunde quem não me conhece profundamente, levando-os a questionar minha seriedade. Mas é um ledo engano. Por trás da piada e do sorriso fácil, existe um olhar crítico afiado e um profissionalismo ferrenho. O bom humor não é falta de seriedade; é uma ferramenta de inteligência emocional para tornar o ambiente de trabalho mais leve e produtivo.
Olhando para o futuro, meus planos transcendem a mera execução técnica. Quero consolidar meu papel como líder educador. Tenho projetos em andamento que materializam essa vontade de democratizar a tecnologia.
Criei o canal Leo Skinner Tech no YouTube, uma iniciativa para popularizar a tecnologia e a Inteligência Artificial, tornando-as amigáveis para o público geral. Quero desmistificar a complexidade. Além disso, estou estruturando um site de aprendizagem e um projeto de mentoring para formar novos profissionais em Segurança SAP e IA.
Mas talvez o projeto que toque mais fundo no meu coração seja o literário. Escrevi um livro infantil chamado “Meu Amigo Pixel”. A ideia nasceu da vontade de explicar o meu mundo para as crianças. Através do personagem do Pixel — aquele pontinho que todos veem, mas ninguém nota —, introduzo os pequenos ao funcionamento das telas e da tecnologia. É o primeiro de uma série que pretendo escrever.
Qual é o meu legado?
Profissionalmente, quero ser lembrado como alguém que entregou excelência, que foi transparente e, acima de tudo, que ajudou outros a crescerem. Quero que, quando olharem para trás, vejam alguém que abriu portas, e não que construiu muros.
Pessoalmente, o legado é simples, mas profundo: ser o pai e o marido que proveu, protegeu e amou. Alguém que, entre erros e acertos, sempre tentou fazer o melhor.
Do menino que digitava BASIC na Tijuca ao especialista que protege grandes corporações, a essência permanece a mesma: a curiosidade de aprender e a generosidade de ensinar. Essa é a minha história, e ela ainda está sendo escrita, um código — e um dia — de cada vez.